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Funções da linguagem: resumo e exemplos

Quando falamos em função da linguagem, muitas pessoas logo pensam: “ora, mas a função da linguagem é a comunicação, não?”. Sim, poderíamos dizer que comunicar é uma das funções da linguagem, mas essa comunicação possui diversos objetivos, e a eles damos o nome de funções da linguagem. E é sobre elas que vamos falar neste post. Acompanhe!

Elementos da comunicação

Antes de vermos as funções da linguagem, vamos abordar os elementos da comunicação, já que cada elemento da comunicação está ligado a uma função da linguagem. Conforme o linguista Roman Jakobson, para que a comunicação ocorra, é preciso que haja um emissor (ou remetente) que envia uma mensagem a um destinatário (ou receptor). Isso ocorre dentro de um contexto (ou referente) por meio de um código que é passado via um canal (ou contato).

Veja o infográfico e o esquema abaixo para entender melhor:

  1. Canal de comunicação: é o contato pelo qual se estabelece a comunicação;
  2. Emissor: quem produz o enunciado e emite a mensagem para estabelecer a comunicação;
  3. Receptor: quem recebe o enunciado emitido;
  4. Mensagem: enunciado em si, que foi comunicado pelo emissor ao receptor;
  5. Referente: é o tema do enunciado, o que indica seu significado. Pelo referente, os interlocutores terão mais clareza sobre a mensagem;
  6. Código: sistema seguido pelos interlocutores para estabelecer a comunicação.

Assim, Jakobson estabelece que a linguagem tem seis funções, determinadas de acordo com o elemento que predomina no enunciado.

Funções da linguagem e comunicação

A seguir, vamos falar sobre as funções da linguagem e sua relação com os elementos da comunicação:

Função Apelativa ou Conativa

A função apelativa, também conhecida como conativa, tem como característica uma linguagem persuasiva que tem como objetivo convencer o receptor. Assim, o enfoque é o receptor da mensagem.

Essa função é muito usada em comerciais, discursos políticos e propagandas, buscando influenciar o receptor pela mensagem transmitida. Esse tipo de conteúdo geralmente se apresenta na segunda ou terceira pessoa com a presença de verbos no imperativo ou uso do vocativo.

Exemplos:

  • Não perca a chance de levar duas blusas pelo preço de uma!
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Função Denotativa ou Referencial

Função denotativa é quando o enunciado se foca no contexto. Neste caso, o emissor transmite a mensagem da maneira mais realista e objetiva possível. Geralmente, é uma função predominante em notícias de jornais e em artigos científicos.

Exemplos:

Função Emotiva ou Expressiva

A principal particularidade da função emotiva ou expressiva é seu caráter subjetivo. Em outras palavras, é uma linguagem que cumpre a função de emitir desejos, emoções, expressões individuais, opiniões, sentimentos etc.

Estruturada com sequências em primeira pessoa do discurso, a função emotiva é encontrada, por exemplo, em artigos de opinião, cartas pessoais, diários, poemas líricos, entre outros. 

O ponto de vista do emissor é imprescindível no trabalho com essa linguagem. 

Exemplos: 

  • Fragmento do poema “Sentimento do mundo’, de Carlos Drummond de Andrade:
    “Tenho apenas duas mãos
    e o sentimento do mundo,
    mas estou cheio escravos,
    minhas lembranças escorrem
    e o corpo transige
    na confluência do amor.”
  • Tive uma adolescência muito animada: saía com os amigos, praticava esportes, jogava videogame… Foi um momento incrível em minha jornada.

Função Fática

Quando o enunciado tem como foco o canal ou contato, dizemos que a linguagem tem função fática. Neste caso, a mensagem está sempre centrada para o contato propriamente dito, com vistas a certificar-se de que o canal está aberto, funcionando eficientemente, e de prolongar a comunicação. Em geral, está presente em certos momentos de contatos por escrito (cartas e e-mails) ou ligações telefônicas, e também em construções orais.

Exemplos:

  • Tá me escutando?
  • Tu sabes que já conseguiria ter terminado, né?

Função Metalinguística

A função metalinguística sem como particularidade o uso da metalinguagem. Em outras palavras, a linguagem que se refere a si mesma. Assim, o emissor explica um código usando o próprio código.

Um texto que fale sobre linguagem textual ou um filme documentário que fala sobre linguagem do cinema são alguns exemplos de uso da função metalinguística. Também entram nessa categoria textos metalinguísticos de dicionários e gramáticas.

Exemplos:

  • Fragmento do poema “O poema”, de Mário Quintana:
    “Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna
    Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema
    Triste
    Solitário
    Único
    Ferido de mortal beleza.”
  • Agradável e aprazível são sinônimos de carismático.

Função Poética

Ainda que essa função seja chamada de poética, essa função da linguagem não é usada apenas em poemas. Quando o objetivo discursivo é construir uma mensagem que valoriza o tipo em sua elaboração, vemos a manifestação desse tipo de função.

Assim, a presença de figuras de linguagem, seja em textos poéticos, seja em textos em prosa, bem como diferentes escolhas vocabulares, ou mesmo a própria estrutura textual em versos com a presença de rimas que mostram a intencionalidade do trabalho com a mensagem.

Exemplos:

  • Em briga de marido e mulher, não se mete a colher.
  • Texto publicitário: “Em tempos de turbulência, voe com fundos de renda fixa.”

Espero que este conteúdo tenha ajudado você a compreender as funções da linguagem. Se tiver dúvidas e quiser aprender mais sobre redação e gramática, acesse meu site e inscreva-se para receber meus conteúdos!

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